Software identifica e faz contagem de palmeiras macaúba e babaçu

Software identifica e faz contagem de palmeiras macaúba e babaçu

A macaúba (foto), assim como o babaçu, é uma palmeira nativa do território nacional e seus frutos podem ser aproveitados para diversos fins

Software no formato web desenvolvido pela Embrapa Agroenergia (DF) permite identificar e contar plantas de macaúba ( Acrocomia spp. ) e babaçu ( Attalea speciosa ) em locais de ocorrência das espécies e em áreas de cultivo. Essas palmeiras são nativas do território nacional e seus frutos podem ser aproveitados para diversas finalidades, como o fornecimento de óleos vegetais e biomassa para cadeia de biocombustíveis, alimentícia e cosmética.

Denominado MacView , o sistema utiliza um modelo computacional desenvolvido com ferramentas de inteligência para identificar e contar ambas as palmeiras, diferenciando-as, utilizando imagens de veículos aéreos não tripulados (VANTs), popularmente conhecidos como drones. O relatório gerado apresenta os totais das populações amostradas, o que auxilia o mapeamento de áreas de dispersão natural e o monitoramento de áreas cultivadas.

Em conjunto com outras camadas de informação de inteligência territorial, como dados de modal de transporte e disponibilidade energética, a ferramenta contribui de forma significativa para tomadores de decisões, sejam agentes governamentais ou gestores de iniciativa privada. Os dados de disponibilidade dessas biomassas são fundamentais para estabelecer planos de manejo e exploração econômica em regiões onde essas palmeiras ocorrem de forma abundante.

A tecnologia é organizada em três partes

O software apresenta três partes: um portal com informações gerais sobre o projeto e a solução desenvolvida, além de exemplos sobre o uso da ferramenta e seção com as principais perguntas e respostas. A segunda parte é um sistema especialista, com interface amigável, para reconhecimento das palmeiras; e um servidor com um software especialista baseado em inteligência artificial para detecção de palmeiras.

Pela interface web, o usuário pode registrar sua conta de identificação, cadastrar a área de interesse e fazer “upload” das imagens georreferenciadas de sua área de estudo. O sistema de inteligência artificial é acionado para fazer a inferência das palmeiras em cada imagem. Ao final, o usuário é notificado para receber um relatório com informações sobre o número de identificação de cada planta localizada, a espécie ferida, a posição da caixa delimitadora da palmeira e a latitude/longitude de cada palmeira.

A tecnologia foi desenvolvida no âmbito do projeto “Fortalecimento da cadeia de produção da macaúba em contextos da Região Nordeste do Brasil”, que conto com o apoio financeiro do Ministério da Agricultura e Pecuária ( Mapa ) realizado em parceria com a Embrapa Algodão (PB) e a Embrapa Meio-Norte (PI).

“A ideia nasceu da necessidade de apoiar ações estruturantes para comunidades extrativistas na região do Cariri. No entanto, o conceito mostrou-se viável também para outras áreas do País e evoluímos para um produto que pode atender gratuitamente toda a sociedade”, afirma a pesquisadora da Embrapa Simone Favaro , líder do projeto.

Público-alvo

O público-alvo do MacView inclui produtores rurais, empresas que prestam serviços de inventário por meio de imagens de drones, grupos de investimentos em bioeconomia, pesquisadores, agentes públicos ligados ao monitoramento e aproveitamento de recursos naturais, que precisam realizar levantamentos de ocorrência natural ou envio de áreas cultivadas com palmeiras.

“O ativo é inovador e vai sanar uma das dores dos empresários que pretendem explorar comercialmente macaúba e babaçu de ocorrência natural: a quantificação das palmeiras para estimar o potencial produtivo das biomassas em maciços naturais em propriedades de pequena a grande porte. O software é de uso gratuito e atinge o maior número possível de usuários”, explica a chefe-adjunta de Transferência de Tecnologia da Embrapa Agroenergia Patrícia Verardi Abdelnur .

O sistema web utiliza modelo computacional baseado em técnicas de aprendizagem profunda (deep learning) e encontra-se em ambiente de produção.

 

Versão beta

O software está em estágio chamado de “beta test”, ou seja, trata-se de um protótipo funcional. A disponibilização pública neste estágio de desenvolvimento objetivo possibilita o acesso antecipado dos usuários aos resultados da pesquisa científica da Embrapa. Entretanto, devido à atualização atual, o sistema pode eventualmente apresentar alguma instabilidade. Por isso, é aconselhável utilizá-lo com cautela.

Conheça mais sobre a macaúba nos programas de rádio da Embrapa, o Prosa Rural:

Macaúba: sistema produtivo para produção de óleo e energia no Semiárido

Sistema simplificado de produção de mudas de macaúba e extração de óleos e farinha de fruto

Uso da biomassa como matéria prima agroindustrial

Como extrair óleo de macaúba com qualidade

 

Problemas que essa tecnologia resolve

A macaúba é uma importante oleaginosa nativa do Brasil. Essa palmeira possui potencial para exploração como fonte de óleo para produção de biodiesel, combustíveis de aviação e diesel renovável. Entretanto, não existem grandes áreas plantadas com a espécie.

Desta forma, a identificação de maciços de macaúba encontrados em florestas nativas é uma ferramenta importante para sua exploração. Por isso, o ativo foi desenvolvido como um sistema simplificado e gratuito de identificação e contagem das duas palmeiras.

Por meio desse sistema será possível realizar mapeamento em larga escala destas plantas em território nacional, superando as limitações de inventários feitos in loco e apenas com amostras de população. Essa informação subsidia planos de manejo e conservação das espécies, bem como ampara de forma projetos substanciais de exploração econômica dos maciços naturais. Além disso, pode ser usado como ferramenta de monitoramento de áreas cultivadas.

Diferencial

A tecnologia permite que os usuários finais possam submeter suas imagens georreferenciadas e obter o reconhecimento das palmeiras de forma automática e sem intervenção humana no processo.

Dessa forma, foi desenvolvido um portal informativo sobre o projeto com informações relacionadas à macaúba e ao processo de captura de imagens, além do próprio uso do sistema web que permite a obtenção das informações finais por pessoas sem treino em programação. Ainda assim, o sistema obtido é automático, ou seja, não depende de intervenção humana em nenhum ponto do processo.

 

Macaúba conta com Zoneamento Agrícola de Risco Climático

A portaria com o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) para a cultura da macaúba no território brasileiro foi publicada no início de fevereiro pelo Diário Oficial da União. O Zarc foi elaborado com o objetivo de minimizar os riscos relacionados às previsões climáticas adversas, permitindo identificar as áreas onde se encontram condições mais específicas ao cultivo da espécie.

Na abordagem, os municípios são classificados em diferentes níveis de riscos de frustração de safra, de acordo com as características climáticas, sobretudo relacionadas ao solo e à disponibilidade hídrica, em conjunto com o ciclo de desenvolvimento da espécie e as necessidades da cultura.

O Zarc Plantio Certo, desenvolvido pela  Embrapa Agricultura Digital  (SP), está disponível de forma gratuita para os sistemas Android e iOS, com limitação sobre dados de plantio para mais de 40 culturas agrícolas, abrangendo todos os municípios do território nacional.

Fonte: Embrapa Foto:  José Rey Santos Souza (babaçu) e Embrapa