Rondônia, terça, 17 de maio de 2022.

Índia quer iniciar nova cooperação técnica com Embrapa, agora focada em café

Índia quer iniciar nova cooperação técnica com Embrapa, agora focada em café

Embaixador indiano discutiu com o presidente da Embrapa prioridades de uma nova parceria, envolvendo intercâmbio de germoplasma, controle de pragas e doenças e sistema de produção de cultivo de café de montanha

O embaixador da Índia no Brasil, Suresh K. Reddy, e o presidente da Embrapa, Celso Moretti, reuniram-se na semana passada, para discutir o início de uma nova parceria envolvendo instituições de pesquisa agropecuária dos dois países, desta vez com foco na cultura do café. A Embrapa já tem parceria assinada com dois institutos indianos (o Indian Council of Agricultural Research – ICAR e o Department of Animal Husbandry and Dairying – DAHD), mas para viabilizar o novo acordo precisará assinar um memorando de entendimento com um terceiro órgão de pesquisa daquele país, responsável por coordenar estudos com café.

A experiência de sucesso do Brasil com a cultura café foi bastante ressaltada pelo embaixador, que mostrou-se interessado ao ser apresentado a algumas tecnologias inovadoras, como o uso consorciado de braquiária nas entrelinhas dos cafezais, o plantio direto, a irrigação com estresse hídrico controlado, adubação fostatada, o cultivo nas áreas de montanha, o controle biológico de pragas e doenças, uso de tecnologias de colheita e pós-colheita de baixo custo para melhorar a qualidade do café e o melhoramento genético – área de interesse mais imediato para intercâmbio de germoplasma entre os dois países. O presidente da Embrapa ainda revelou algumas iniciativas pioneiras do Brasil para descarbonizar a agropecuária brasileira, como o Carne Carbono Neutro, a Soja Baixo Carbono e o Leite Baixo Carbono e o início das pesquisas para também incluir também as culturas de algodão e do café.

Moretti indicou o chefe-geral da Embrapa Café, Antônio Fernando Guerra, como ponto focal para discutir o memorando de entendimento a ser assinado e as prioridades que vão nortear o primeiro plano de trabalho. Mas também orientou que o embaixador se reunisse com o presidente do Conselho Nacional do Café (CNC) para ampliar as bases da parceria com o Brasil.

Durante o encontro, Suresh Reddy manifestou-se interessado também em acelerar e ampliar as ações em andamento com o ICAR e o DAHD com as culturas de coco, cana-de-açucar, leite e de bubalinos. Com cana, o interesse está na experiência brasileira com produção de etanol, etanol de segunda geração e novas variedades desenvolvidas pela Embrapa tolerantes a seca, resistentes a insetos-praga e tolerantes a herbicidas. A Índia é o segundo maior produtor de açúcar do mundo, atrás somente do Brasil, mas toda a sua produção é utilizada para consumo interno e quase que exclusivamente de açúcar, daí o interesse em expandir a produção para uso do etanol nos carros indianos.

Histórico de parcerias

Os principais parceiros da Embrapa na Índia são o Indian Council of Agricultural Research – ICAR e o Department of Animal Husbandry and Dairying (DAHD), antigo DADF, com especial destaque para o ICAR. A Embrapa tem relações de cooperação com o ICAR desde 2005, data da assinatura do primeiro memorando de entendimento (MEN) entre as duas instituições. Alguns projetos foram realizados, como na área de genética animal, com a Embrapa Gado de Leite.

Em 2016, a Embrapa assinou novo memorando de entendimento tanto com o ICAR quanto com o então DADF. A parceria com o ICAR foi direcionada para as áreas de recursos genéticos, manejo animal, recursos naturais e aquicultura. Já a com o DADF foi focado em produtividade animal.

Com o DAHD, os contatos foram fortalecidos a partir de junho de 2018 e com foco em três áreas priorizadas: capacitação, genômica e estabelecimento – a pedido da parte indiana – de um centro de excelência para capacitação, pesquisa e transferência de tecnologia na área de leite, em três ou quatro instalações no país.

Em abril de 2019, a Embrapa recebeu delegação indiana com representantes do DAHD. A visita incluiu a unidade de Gado de Leite e resultou em uma proposta para ações de treinamento. Em atendimento ao DAHD, a Embrapa Gado de Leite apresentou uma proposta para o treinamento de profissionais indianos no Brasil, em técnicas de reprodução de bovinos. Devido à pandemia e também mudanças internas no governo indiano, a proposta não avançou.

De agosto a dezembro de 2020, a GREI articulou cinco videoconferências com o DAHD – alguma com participação do adido agrícola do Brasil em Nova Délhi – para discutir e fortalecer as atividades de cooperação em andamento e conhecer os novos desafios para a colaboração internacional enfrentados pelas instituições indianas frente ao novo cenário do coronavírus.

Outras demandas propostas pelas UDs para o DAHD

– Embrapa Tabuleiros Costeiros: treinamento e visitas técnicas, nos segmentos de bioenergia e coco, relacionadas com a necessidade de conhecer e avaliar os bancos de germoplasma indianos para cana e coco e também seleção assistida por marcadores moleculares no melhoramento de híbridos comerciais de coqueiro. Segundo a unidade, a integração com os programas indianos de melhoramento é fundamental não só pela complementação em termos de resultados, mas pelo número reduzido de melhoristas de coco no Brasil, em comparação a outros setores, como o milho.

– Embrapa Caprinos e Ovinos: alimentos funcionais (probióticos no leite de cabra), melhoramento genético e genômica aplicada à resistência a doenças animais.

– Embrapa Solos: zoneamento agroecológico e nanofertilizantes inteligentes/fertilizantes mais eficientes;

– Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia: plantas medicinais, aromáticas e condimentares;

– Embrapa Hortaliças: transferência de tecnologia desenvolvidas para leguminosas de grão seco;

– Embrapa Pecuária Sudeste: melhoramento de guandu voltado à alimentação animal; recuperação de pastagens degradadas; combate a nematoides; descompactação de solos.

– Embrapa Roraima: controle biológico (prospecção de fungos e bactérias que acometem a tiririca).

– Embrapa Algodão: mecanização da colheita de mamona; melhoramento para características específicas (baixa toxicidade, alto conteúdo de óleo, precocidade, resistência a doenças); tecnologia para produção de sementes hibridas; tecnologias para agregação de valor a subprodutos.

– Embrapa Gado de Leite: melhoramento de forrageiras tropicais (Cenchrus sp), inclusive na vertente da Agroenergia, metodologias científicas para o melhoramento genético de raças zebuínas e a aplicação de ferramentas para seleção genômica dos animais, com foco em gado leiteiro.

Fonte: Embrapa

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